sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Tia Carla



Tia Carla se prepara para o banho


 Danilo não tinha o costume de dormir após o almoço. Por isso, sentia-se um pouco constrangido ao ver Tiago, seu melhor amigo, e toda a família se preparando para uma siesta coletiva.

Era dezembro, e Danilo havia sido por convidado pelo inseparável colega para veranear em uma pequena vila de pescadores, entre o mar e o mangue baiano. Passavam o dia inteiro juntos, respeitando todas as ilimitações que a vida empresta a garotos de 12 anos. O momento da siesta era a única exceção.

Todo os dias, após o almoço, "seu" Leandro, pai de Tiago, iniciava o ritual com os os colchonetes e os ventiladores, distribuindo-os pelos cômodos do rústico casebre. Danilo dormia no mesmo quarto do amigo, cuja irmã, Beatriz, dormia no quarto ao lado. "Tia" Carla, na benfeição de seus trinta e poucos anos, se juntava ao marido em uma das redes armadas na varanda, onde cochilavam escutando os ruídos marítimos que suplantavam os coqueirais da beira-mar.

Enquanto seu companheiro de aventuras dormia a sono profundo, Danilo, de olhos bem abertos, levava sua imaginação para o quarto ao lado. Não que Beatriz fosse linda ou algo assim, o importante é que ela era quase da sua idade! Há alguns anos, era apenas a "irmã chata do Tiago", mas hoje, era o alvo preferencial de suas infrutíferas tentativas de aproximação física. Não tendo suas súplicas atendidas, Danilo se acabava na punheta.

Não tinha qualquer pudor em se masturbar na frente do amigo ou dos primos da mesma idade, mas desde que vira a gala subir pela primeira vez, recolhia-se à solidão para maior satisfação.

E tinha o calor... Naquela tarde, o sol parecia ter esmorecido sobre a Bahia, de tanta quentura! A casinha, por mais abençoada que fosse pela brisa, estava um forno. Danilo sentiu o corpo suado grudando no lençol. Agoniado, olhou para o amigo, que babava no travesseiro, e decidiu se levantar.

Com vergonha de passar pelo casal que dormia na varanda, Danilo pulou pela janela e escapuliu por detrás da casa, em meio à densa vegetação litorânea, percorrendo uma trilha estreita e longa, de fina areia branca. Após relativa caminhada, já próximo ao mangue, encontra pequenas lagoinhas de água doce e morna, cor de Coca-Cola. Não havia ninguém em muitas centenas de metros para cá ou para lá. O silêncio era total.

Ao onanista, a solidão não é motivo de tristeza, senão de excitação.

Jogando o calção de banho sobre margem e sentindo sua nudez exposta, sentiu também o pau ficando duro. Virou-se para um lado e para o outro, sentindo-se o próprio Senhor da Terra! Exibiu a própria excitação às borboletas, às libélulas e a todas as mulheres que seu pensamento alcançava. Então se deitou.

De barriga para baixo, o menino mantém o rosto afundado na água o quanto pode. Quando não aguenta mais, ergue a cabeça, toma mais ar, e mergulha novamente. De vez em quando, um peixinho o belisca, ou um inseto pousa sobre suas costas, mas nada que o desconcentre.

Sob o auspicioso sol das 3 horas das tarde, Danilo encontrara o refúgio perfeito para dar vida aos pensamentos que o acompanhavam desde o início das férias: Ah, Beatriz!... Era bom imaginar ela ali, ao seu lado... Aparecendo do nada, sozinha, de biquini, peladinha; só eles dois na lagoinha... Ah, Beatriz!

Após o gozo intenso, o menino se diverte observando a porra rodopiando dentro d'agua, como se tivesse fertilizado o próprio Planeta. Mas num breve instante de racionalismo, lembra que sua fuga poderia preocupar a todos, e decide voltar pra casa.

Caminhando livre, leve e solto pela trilha sombreada, Danilo avista alguém vindo ao longe, em sua direção... É Tia Carla! Alertado por todos os sentidos e presságios, o garoto dá meia-volta e corre, indo se esconder numa das muitas lagoinhas, em meio à vegetação. Em poucos instantes, surge a "tia".

Num gesto gracioso, ela segura o cabelo com as mãos e o envolve em si, prendendo-o num coque, com uma pequena vareta. Em seguida, faz a canga cair e, já despida, entra n´água.

Imóvel, sem mover uma pluma, Danilo tem a melhor experiência de todas as férias e uma uma das melhores de sua recém-terminada infância. Como numa fábula escrita por Zéfiro, o menino tem, diante de si, a visão de uma mulher totalmente nua, com peitos lindos, bunda grande e pêlos pubianos!... Era sua primeira buceta de verdade.

As que vira inadvertidamente durante a infância não contam, pois a maldade era pouca. A de Tia Carla era a primeira - a primeiríssima - que Danilo estava vendo em sua vida; e ele a via quase que em detalhes, a poucos metros de desejo.

Sendo pouco profunda a lagoinha, Carla tinha de se agachar para trazer a água ao corpo e se refrescar, exibindo ao pirralho mais do que ele poderia imaginar.

A marquinha provocada pelo biquini contrastava com sua pele dourada, e mais ainda com seus pêlos pubianos, volumosos e negros. Danilo poderia apostar que fossem também cheirosos, tal o cuidado com que Carla os acariciava, produzindo na mente da inocente criança as mais bem-vindas e indeléveis marcas que um homem poderia receber em vida.

7 comentários:

Anasha Gelli disse...

"...o menino se diverte observando a porra rodopiando dentro d'agua, como se tivesse fertilizado o próprio Planeta". Ai,ai, fiquei aqui imaginando as peripécias que meu filho anda vivendo...

O Maltrapa disse...

Pode imaginar à vontade, Anasha, mas na cabeça de uma criança, só o imponderável tem razão...

Beijão do Maltrapa

Márcio disse...

Lembrou Zé Lins em "Menino de Engenho". Pasquale se manifestou por e-mail, olhe lá.

O Maltrapa disse...

Pô, só pela comparação, eu já ganharia minha sexta-feira; em se tratando do Zé Rubro-negro, então, tô mais feliz que o moleque do texto!...

Valeu, Contreiras!

Abraço,

O Maltrapa

Sentilavras disse...

De fato, lembra José Lins, mas achei o seu mais gostoso de ler...

Digitais Digitais disse...

kkkkk Disparadamente um dos melhores textos sobre os sentimentos masculinos da pré-adolescência que já li... rsrs Ótimo, João!!! Lá em Sergipe, no litoral, existem várias dessas lagoinhas com de Coca-cola rsrsrs

O Maltrapa disse...

Essas lagoinhas de coca-cola são o que há... Lebranças borbulhantes, pois sim, meu caro!