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Dr. Temer achou que poderia sair do armário e passar incólume, mas o mundo todo viu... |
Uma semana atrás, duas personalidades
brasileiras machucadas e fragilizadas pelo tempo participaram destacadamente da
cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro; cada uma à sua maneira.
Foram elas o mundialmente conhecido cirurgião plástico Ivo Pitanguy, e o
canhestramente conhecido golpista travestido de presidente, Michel Temer - que
não tem votos suficientes nem para se eleger administrador do Jaburu, mas estava
lá; seu nome é Trabalho.
Enquanto Dr. Ivo, entrevado numa cadeira de
rodas pelas circunstâncias da existência, era aplaudido pelos populares, Dr.
Michel, mumificado num sarcófago moral, era vaiado em pleno Maracanã. Coube ao primeiro carregar a Tocha Olímpica,
e ao segundo, suportar no quengo a rejeição nacional exibida em cadeia mundial.
Isso porque Dr. Michel, sem ser anunciado (descumprindo bizarramente o protocolo),
compareceu a uma festa para a qual sequer fora convidado. O consorte da Marcela
sem sorte, porventura representando duzentos milhões de espíritos
brasileiramente olímpicos, quis passar despercebido durante a celebração,
embora tivesse a (usurpada) incumbência de declarar abertos os Jogos. É um
gaiato...
Para um sujeito que acaba de assumir a condição
de nossa última esperança antes da cubanização definitiva do Brasil, almejada
por petralhas, esquerdopatas, homossexuais, feminazis e indígenas, em geral, eu
não consigo compreender por que tanto temer (ops) nesse confronto com as massas.
Entrementes, não era para esse cabra estar sendo carregado nos ombros do povo,
rampa do Bellini acima? Não era o caso de estarmos assistindo a essa respeitada
raposa política (?), incontestável liderança entre seus asseclas (??) e ilibado
peemedebista (???) celebrar junto a seus compatriotas o júbilo de se realizar
um evento de tal magnitude em solo pátrio, além de nos haver livrado daquele sapo
barbudo bêbado e analfabeto e daquela terrorista dentuça gorda, comunista e... Mulher?
Ou estou enganado?
Alguém em sã consciência colocaria a foto dele
na parede (sem contar a mãe da Marcela)? Cadê as faixas de “Viva Temer”, “Temer
Go” e “Agora o mundo vai nos Temer”? Ou mesmo os memes viralizantes da rede,
estilo “Temer, você não é Pokémon, mas está na minha mira ;)”? Cadê as putas
cabeças pensantes da cultura nacional enaltecendo nosso redentor, enlevados
pelo estoicismo necrotérico daquele ser grisalho que vem ao socorro de toda a gente
de Bem, a homenageá-lo em músicas, cantigas, quadros, charges, peças teatrais,
panfletos, folhetos ou a desgraça que for? Cadê tudo isso, meu deus?
Ao contrário, vejo gente nas ruas sofrer
arbitrariedades por parte de uma polícia decadente, apenas por protestar contra
o despropósito político-institucional ora em curso no Brasil; vejo cidadãos
inofensivos nas arquibancadas que explicitam o repúdio popular ao golpista
sendo retirados de arenas, estádios e ginásios olímpicos como se perigosos
mentecaptos fossem, à base de brutalidade, intimidação, repressão e
autoritarismo. Em tempo: a justiça, na última quarta-feira, determinou que se
permitissem manifestações pacíficas no Parque Olímpico.
E o que dizer do brasileiro que acreditou que
“tudo isso” era, de fato, um pacto republicano e suprapartidário selado entre
homens honrados e decididos a “colocar o país nos trilhos” (i.é., dar um jeito
naquela corja petista)? Melhor; o que esse cidadão tem a dizer, agora que o Mandatário-mor
da nação deu pinta no salão? O que esse brasileiro com muito orgulho e muito
amor (e que não desiste nunca, mesmo morando em Miami) sentiu ao ver o líder
dos “seres humanos direitos” pagando king-kong, passando recibo de golpista via
satélite? Como explicar aos filhos pequenos que nosso Comandante-em-Chefe tem
vergonha de aparecer ou falar em público, preferindo as sombras para esconder a
cara azeda de mictório de boteco? Como explicar um discurso presidencial de 10
segundos, sem qualquer menção meritória à população carioca ou aos mais de 11.000
atletas que tanto se sacrificaram para que a festa ocorresse, tornando o Brasil
o foco das atenções planetárias? Difícil, né?...
Meros dois dias desde então, Pitanguy já não estava
entre nós. Seu gesto de levantar a tocha foi um adeus ao mundo e à vida. Morto
no dia posterior e cremado no seguinte, não deixou rugas ou cicatrizes,
conforme seu ofício lhe impunha. Não cheguei a lamentar, senão por não haver
sido Dr. Temer a embarcar em Aqueronte, e cheguei mesmo a celebrar o fato dela
– a morte – um dia abraçar a todos.
Nos espelhados corredores palacianos ou dos
salões do Congresso da República, a imagem de Dr. Temer nunca se reflete.
Agora, diante de uma audiência estimada em mais de três bilhões de pessoas, encarna
o Mr. M e envergonha o povo brasileiro ao querer dar uma de invisível, sem magia
ou encantamento, mas envolto em pura patifaria. De repente, um gesto normal
para quem, no íntimo, não passa de um morto-vivo cuja alma não tardará a ser
conduzida por Caronte ao esgoto História, lembrado como alguém que melhor seria
se não houvesse existido. Oxalá, assim seja!
#ForaTemer
photo by Marcya Reis
4 comentários:
Daria-me o prazer dessa contradança, querida?
<3
Se ela dança, eu danço, ma chérie!
Ele já morreu e ainda não se deu conta do cheiro
Ele já morreu e ainda não se deu conta do cheiro
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